![]() |
*de Gammarth para La Marsa, e ao fundo Sidi Bou Said |
É uma zona lindíssima, de contrastes fortes com os cedros verdes, as casas
brancas e o mediterrâneo aqui turquesa. As colinas dão-lhe intimismo, e o mar é
calmo nas marés e no sentimento que nos preenche. Nas suas praias lado a lado
banham-se mulheres vestidas e outras (quase) despidas. Das sofisticadas casas
de Gammarth, das diplomáticas maisons
de Carthago e das ancestrais vielas de Sidi Bou, todos descem as ruas de La
Marsa para desfrutar dos restaurantes e passeios marítimos.
![]() |
* a corniche marítima de La Marsa |
Esta foi a nossa Tunísia, a que me deixou saudades, e neste regresso foi
aqui foi onde encontrei mais diferenças. É certo que durante o inverno a zona
hiberna, recolhe-se, desertifica-se… fecha. Vive-se uma quasi-depressão
colectiva saudosa das noites tépidas do verão e dos longos e escaldantes dias.
Mas este ritmo já eu o conheço bem, para deixar que me engane. Não foi isso que
me impressionou. Senti a zona baça, sem brilho. E percebi nas pessoas receio e
apreensão.
Esta é a zona secular por excelência na Tunísia. É também a mais rica,
desigual e ostensiva, onde no anterior regime a nomenclatura reinante dava azo
público as suas excentricidades. Por tudo isto, esta é uma zona tornada alvo
primordial das invejas e criticas extremistas. O processo revolucionário
constrangeu a excepcionalidade que ali se vivia. Naturalmente que ninguém tem
pena dos Trabelsi e lamente o fim daquela opulência. Mas este é também o bastião da
secularidade, da mundividência da Tunísia Senti-lo assim titubeante é sintomático
das mudanças politicas e sociais que se vivem actualmente no país e os perigos
que nelas estão contidos. E não fosse a revolução e todo o processo politico
suficientemente negativos para La Marsa, uma outra ameaça velada paira no ar: o
regresso do Banco Africano de Desenvolvimento à sua sede original em Abidjan na
Costa do Marfim. A saída da sede do Banco, levará consigo a esmagadora maioria
dos 1200 funcionários, e suas respectivas famílias. Isto irá representar uma perda
de mais de 3000 pessoas, na maioria residentes da zona de La Marsa. Será um
rude golpe na comunidade, na sua diversidade, na sua importância como farol de
valores e visão do mundo. Os tunisinos ficaram assim mais sozinhos para
enfrentar os seus próprios demónios.
Já o Banco terá de ir enfrentar os seus em Abidjan, mas sobre isto volto
depois…
Ver mapa maior
Sem comentários:
Enviar um comentário