- Afinal, por muito que o negues, tens uma costela de esquerda...
- Agora que falas nisso, efectivamente tenho uma costela flutuante esquerda a desviar para fora...
- Talvez isso explique algumas coisas...
Eu sabia que devia ter corrigido cirurgicamente o raio da costela!
Musica, adereços, imagens, memórias e reflexões... novos, velhos e usados... aqui se encontra de tudo para apreciar, vender, troca directa e ocasional oferta!
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Calor
Alimentei durante anos a ideia de que a geografia mais apropriada para eu viver bem e em qualidade teria de possuir uma boa dose de calor. Mais em concreto um reconfortante calor seco. Não tenho pele para a humidade tropical, e mesmo quando procuro o cocktail servido com coqueiro e mar turquesa, tento evitar os trópicos.
Em particular a minha sedução desde pequeno foi o Mediterrâneo, numa traição atlântica inexplicável... Sonho com a terra quente, os jardins verdes com pedras amarelas, os ciprestes, as cigarras, o campo rasgado por caminhos sinuosos, a brisa morna, as árvores verdes no contraste do céu azul tórrido, as sombras fortes, os penhascos, as águas quentes, o branco dos barcos no azul profundo... e depois as vilas, com as cores garridas, as boganvilias exuberantes, o barro dos telhados, as janelas altas com portadas de ripas, as varandas, as ruas empedradas, as manhãs vibrantes, a letargia pós-almoço, as tardes tépidas, o crepúsculo no lado roxo do espectro, as noites confortáveis que se estendem até de madrugada. os portos com barcos de pesca... até mesmo as grandes cidades, com o movimento que só este clima permite, as esplanadas cheias, as praças agitadas, o temperamento das gentes, a culinária que satisfaz...
No meu subconsciente existia a reserva de que o motivo certo surgiria algures para me oferecer o meu Mediterrâneo no caminho.
Chego a casa envolto num calor tórrido, passo por baixo da boganvilia roxa, cruzo o jardim verde manchado pelas sombras fortes das oliveiras, pouso as malas e abro as portadas de ripas das janelas turquesa. Deixo entrar a luz e observo a paisagem...
No meu subconsciente existia a reserva de que o motivo certo surgiria algures para me oferecer o meu Mediterrâneo no caminho.
Chego a casa envolto num calor tórrido, passo por baixo da boganvilia roxa, cruzo o jardim verde manchado pelas sombras fortes das oliveiras, pouso as malas e abro as portadas de ripas das janelas turquesa. Deixo entrar a luz e observo a paisagem...

Bom... acho que já estive mais longe! Agora só falta saber como passo para o outro lado...
Movimento
Por força da natureza pouco clara do objectivo do blog, convém avisar os potenciais leitores de que este é um blog em movimento. Portanto é possível que alguns escritos sejam posteriormente alterados. Prometo apenas não apagar. O que foi sentido e escrito fica lá. De outra forma não faria sentido manter um registo.
Mas está em aberto a possibilidade de que vá elaborar com mais profundidade algum assunto, ou acrescente nova perspectiva surgida de outra reflexão. E se por ventura mudar de ideias, pois o blog será o primeiro a saber.
Mas está em aberto a possibilidade de que vá elaborar com mais profundidade algum assunto, ou acrescente nova perspectiva surgida de outra reflexão. E se por ventura mudar de ideias, pois o blog será o primeiro a saber.
domingo, 9 de agosto de 2009
Campeões
Michael Schumacher vai regressar à competição. As circunstâncias em que tal acontece são tristes e excepcionais. A Ferrari enfrentava algumas escolhas difíceis, mas isso per si não seria com certeza motivo suficiente para justificar o seu regresso. Michael S. é reconhecidamente um voraz competidor, ao ouvir os seus motivos para regressar fica claro na verdade que o Campeão crónicamente competitivo fraquejou e cedeu à tentação pessoal de voltar aos circuitos nem que seja por algumas corridas.
Há algumas semanas atrás era Lance Armstrong que regressava depois de um prolongado retiro. O lugar mais baixo no podium em Paris é uma proeza, mas... a Lance isso não o sacia. Afirma que para o ano estará novamente nas estradas de França para mais uma tentativa, sendo que já nem os seus mais fanáticos apoiantes acreditam que ele consiga chegar novamente ao primeiro lugar. Isso no entanto não o demove.
Com as devidas diferênças, ao regressarem à competição nenhum dos dois soube realizar o seu retiro definitivo. Pessoalmente tenho dificuldade em criticar esta atitude. É certo que prezo muito a dignidade e reconheço que saber parar no momento certo é fundamental. No entanto o caracter de determinação, a humildade em enfrentar a possibilidade de falhar, e o genuíno sentimento por aquilo que se faz, parecem-me ultrapassar largamente em dignidade tudo aquilo que foi alcançado pelo retiro do activo em momentos aureos das carreiras.
Ambos estes homens sabem que é impossível regressar à glória do passado. Eles simplesmente querem ir mais longe, com ou sem novas glórias, apenas por gosto, porque são assim, porque são campeões...
domingo, 2 de agosto de 2009
Brasileiros
Foi um serão rodeado de sotaque. Gosto de estar entre eles. Sabem receber e fazer sentir em casa. Há sempre alegria, informalidade, cultura, inteligência, o humor das piadas ao Português que são lançadas aqui com uma candura de fraternidade. A inevitável viola. Fortalecem-me a crença que um dia casa será também por lá. A energia é contagiante, mesmo quando grande parte do serão é embalado num coro de vozes que cantam amores não correspondidos, choram vidas perdidas ou corações mal tratados...
No final saio com a certeza que num tom e ritmo diferente, por muito que não queiram admitir, bem escondida no peito está a infecção do Fado lusitano.
No final saio com a certeza que num tom e ritmo diferente, por muito que não queiram admitir, bem escondida no peito está a infecção do Fado lusitano.
sábado, 1 de agosto de 2009
CC
Por infelicidade fui introduzido às maravilhas do Cartão do Cidadão (não sei onde e quando foi que o cartão passou de "Único" a "Cidadão"... mas simplesmente livraram-se de boa...). É daquelas inovações sobre as quais tenho verdadeiros sentimentos contraditórios. Sendo eu completamente despistado e preguiçoso, a ideia de concentrar toda a burocracia num simples cartãozinho que fica bem guardado num espaço da (agora possível) minúscula carteira é absolutamente brilhante! Acresce ainda que um assumido geek só pode adorar o gadgetzinho que permite ligar o bicho ao computador, validando assim operações que de outra forma me obrigavam a morosas e extenuantes deslocações a repartições públicas. Estando no estrangeiro, isto é ainda mais precioso. O problema é o Sistema, a fobia ao Estado e ao controlo absoluto da nossa intimidade, para o qual vamos resvalando alegremente, seduzidos pelas vantagens da modernidade, amedrontados pelos perigos da actualidade...
Não é simples preconceito. Não interessa que até já podiam cruzar tudo e mais alguma coisa. A displicência com que vamos permitindo que se derrubem pequenas barreiras legais, vedações que nos protegem a intimidade, faz-me temer que estejamos a perder a noção de conceitos básicos à liberdade individual. A verdade é que troco grande parte das facilidades de tudo isto, por estar confortável que ninguém me vai andar a vasculhar a vida privada. Sobre isto, a violação de privacidade, a natureza do Estado, e outros que mais, voltarei mais tarde...
Por agora, surge-me apenas como natural que cada vez mais haja quem queira dizer... "Estou fora do mundo"!
Não é simples preconceito. Não interessa que até já podiam cruzar tudo e mais alguma coisa. A displicência com que vamos permitindo que se derrubem pequenas barreiras legais, vedações que nos protegem a intimidade, faz-me temer que estejamos a perder a noção de conceitos básicos à liberdade individual. A verdade é que troco grande parte das facilidades de tudo isto, por estar confortável que ninguém me vai andar a vasculhar a vida privada. Sobre isto, a violação de privacidade, a natureza do Estado, e outros que mais, voltarei mais tarde...
Por agora, surge-me apenas como natural que cada vez mais haja quem queira dizer... "Estou fora do mundo"!
Leite
- "And how many kids do you have?"
- "Me?! None! Actually I live by myself... why do you ask?"
- "Oh... sorry... I saw you getting in your house with a six pack of whole milk... and just assumed it!"
É incontornável, tenho de lidar com a minha inner child... já deixei de ter idade para beber leite gordo!
- "Me?! None! Actually I live by myself... why do you ask?"
- "Oh... sorry... I saw you getting in your house with a six pack of whole milk... and just assumed it!"
É incontornável, tenho de lidar com a minha inner child... já deixei de ter idade para beber leite gordo!
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